Por Francisco Filho — Folha Serrana TV
O Sistema Único de Saúde (SUS) está avançando na avaliação para disponibilizar gratuitamente medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” para pessoas com obesidade.
O anúncio foi feito em 17 de setembro de 2026, durante uma agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em uma unidade da Eurofarma, em Montes Claros, Minas Gerais.
Segundo o Ministério da Saúde, a possível incorporação desses medicamentos será feita de maneira responsável, com base em estudos científicos, avaliação dos resultados e definição de um protocolo clínico.
💊 TRATAMENTO NÃO SERÁ VOLTADO APENAS PARA QUESTÕES ESTÉTICAS
Os medicamentos avaliados pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP-1, que inclui substâncias como a semaglutida.
De acordo com o Ministério da Saúde, a proposta é direcionar o tratamento para pessoas que realmente necessitam de acompanhamento médico para combater a obesidade e suas complicações.
Entre os grupos estudados estão pacientes com obesidade grave, pessoas que aguardam cirurgia bariátrica e pacientes que apresentam outras doenças associadas à obesidade.
O ministério também avalia possíveis efeitos do tratamento em pessoas com problemas cardiovasculares e em mulheres que tiveram câncer de mama.
🔬 ESTUDO COM PACIENTES DO SUS
Uma das principais iniciativas em andamento é o estudo Real-Bari, realizado pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde.
A pesquisa acompanha cerca de 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras condições de saúde, incluindo pessoas que estão na fila para cirurgia bariátrica.
O objetivo é avaliar a segurança do tratamento, os resultados clínicos e como a utilização da semaglutida poderia ser aplicada dentro da realidade do sistema público de saúde.
O Ministério da Saúde informou que o primeiro paciente que recebeu o medicamento no âmbito do estudo já havia apresentado perda de seis quilos e redução da circunferência corporal, além de relatar mudanças nos hábitos de vida e início de atividades físicas.
🇧🇷 BRASIL AMPLIA PRODUÇÃO E REGISTRO DE MEDICAMENTOS
Outro ponto destacado pelo governo é o crescimento da oferta de medicamentos dessa classe no mercado brasileiro.
Segundo o Ministério da Saúde, atualmente existem 14 produtos registrados para o tratamento da obesidade. A estratégia de ampliar a concorrência e estimular a produção nacional busca aumentar a oferta e contribuir para a redução dos preços.
Em julho, a Anvisa informou que havia aprovado o registro de cinco novos medicamentos à base de semaglutida, dentro da estratégia de ampliar o acesso e a concorrência no mercado.
⚠️ AINDA NÃO É PARA TODOS
É importante destacar que o anúncio não significa que qualquer pessoa poderá procurar uma unidade do SUS e receber imediatamente uma caneta emagrecedora.
O Ministério da Saúde ainda trabalha na avaliação dos medicamentos e na definição de critérios e protocolos para determinar quem poderá receber o tratamento pela rede pública.
Além disso, esses medicamentos devem ser utilizados com indicação e acompanhamento de profissionais de saúde.
A Anvisa também vem alertando sobre produtos irregulares vendidos pela internet. Em setembro, a agência proibiu uma chamada caneta de GLP-1 que não possuía registro sanitário no Brasil.
🩺 UM NOVO CAPÍTULO NO TRATAMENTO DA OBESIDADE
A obesidade é uma condição de saúde que pode estar associada a diversas outras doenças. Por isso, o debate sobre o acesso a novos tratamentos pelo SUS envolve não apenas a perda de peso, mas também a avaliação dos possíveis impactos sobre a saúde e a qualidade de vida dos pacientes.
A expectativa do Ministério da Saúde é utilizar os resultados dos estudos e as avaliações técnicas para definir como esses medicamentos poderão ser incorporados à rede pública.
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Por Francisco Filho
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