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MEMÓRIA SANGRENTA: O ASSASSINATO DE EXPEDITO LEITE PELO PISTOLEIRO MAINHA E A SAGA DO DESBRAVADOR DA LADEIRA DOS BASTIÕES


Por Francisco Filho

Especial para o Blog Folha Serrana
A história política do Vale do Jaguaribe é costurada por grandes obras de infraestrutura, mas também pelas páginas sombrias da antiga pistolagem nordestina. No cruzamento dessas duas realidades está a trajetória de Expedito Leite, ex-prefeito de Iracema, Ceará. Ele entrou para a história do município com o título de "o desbravador da estrada da Ladeira dos Bastiões" e teve sua vida ceifada de forma violenta pelo mais temido matador de aluguel da região, Idelfonso Maia Cunha, o célebre "Mainha". [1, 2, 3]
Hoje, o Folha Serrana resgata essa marcante biografia sertaneja, relembrando a audácia do homem que abriu caminhos na serra e o crime que chocou o Ceará no fim da década de 1970. [1, 2]
O DESBRAVADOR: ABRINDO CAMINHOS NA LADEIRA DOS BASTIÕES
Antes de se tornar palco de tragédia política, a figura de Expedito Leite ficou gravada na memória de Iracema pelo espírito de liderança e progresso. Sua principal marca administrativa foi o desafio de romper o isolamento geográfico da Serra dos Bastiões. [1, 2]
Até a sua gestão, o acesso à comunidade dos Bastiões — uma região de relevo acidentado e altitude elevada — era feito quase exclusivamente por picadas na mata ou trajetos extremamente perigosos a pé e a cavalo. Compreendendo a necessidade de integrar os moradores da serra e escoar a produção local, o prefeito colocou máquinas e operários para cortar a rocha. [1]
A abertura da Ladeira dos Bastiões foi uma verdadeira epopeia de engenharia para os recursos da época. Desbravando o terreno hostil, Expedito Leite garantiu a primeira grande estrada de acesso à comunidade, transformando a vida dos moradores e garantindo um lugar definitivo na história do município. [1]
A TEIA DA PISTOLAGEM E A VINGANÇA DE MAINHA
O progresso administrativo, contudo, caminhava lado a lado com as tensas disputas de terra e poder no interior cearense. Em 13 de fevereiro de 1977, a trajetória do prefeito foi bruscamente interrompida. Expedito Leite foi assassinado no Centro de Fortaleza pelo pistoleiro Mainha, que na época iniciava a fama que o tornaria o matador mais procurado do Nordeste. [1, 2, 3]
De acordo com as investigações da época e as posteriores confissões do próprio Mainha após ser capturado em 1988, o assassinato de Expedito Leite não foi motivado por dinheiro, mas sim por uma sangrenta vingança familiar. [1, 2, 3]
Três dias antes do crime, o fazendeiro Astreu Diógenes havia sido assassinado. Astreu era primo de Mainha e a pessoa responsável por financiar os estudos do pistoleiro na juventude. Além disso, o prefeito Expedito Leite enfrentava uma ferrenha rivalidade política contra Francisco Nogueira Diógenes, o "Doutor Diógenes", parente próximo de Mainha. Atribuindo a morte do primo ao grupo político do prefeito, Mainha seguiu os passos de Expedito até a capital e o executou com um tiro certeiro. [1, 2]
O LEGADO DA HISTÓRIA DE IRACEMA
A morte de Expedito Leite marcou o início de uma das eras mais violentas da pistolagem no Ceará, transformando Mainha em um mito criminoso que só seria parado décadas depois. Embora o processo penal contra o pistoleiro pela morte do gestor de Iracema tenha eventualmente prescrito sem condenação oficial, a sentença do tempo foi diferente. [1, 2]
Quase cinquenta anos após o crime, as marcas deixadas pelo ex-prefeito continuam visíveis. A Ladeira dos Bastiões, que hoje recebe pavimentação moderna e asfalto, só existe porque um dia um governante teve a coragem de desbravá-la. [1]
E você, leitor do Folha Serrana? Lembra-se das histórias da época de Expedito Leite ou de quando a estrada da ladeira foi aberta? Compartilhe suas memórias nos comentários abaixo!

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