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12 agosto 2019

A 40 km de Fortaleza, comunidade tem água apenas dois dias na semana


A agricultora Jaqueline Gomes da Costa sofre com a falta de água no distrito — Foto: Fabiane de Paula/SVM


O distrito de Ladeira Grande, em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, não tem reservatório próprio de água. A população, que mora a apenas 40 quilômetros da Capital, tem o serviço de abastecimento disponibilizado apenas no sábado e domingo. Para subsistência, a água é retirada da sede do município ou do distrito de Penedo, que fica na localidade ao lado.

A agricultora Jaqueline Gomes da Costa relata que não há água potável suficiente para a população do distrito. Uma das estratégias que adota é armazenar o volume da chuva e, quando consegue, guardar a água da torneira liberada no fim de semana — nos dois dias em que são disponibilizados pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

Na residência da agricultora, um poço com água salobra ajuda no cuidado com as plantas e na limpeza do chão. "Falta muita água. A Cagece liga na sexta-feira à tarde e desliga na segunda de manhã. A necessidade de água é grande. Nem todo mundo tem reservatório suficiente para guardar água”, denuncia.

A população de Ladeira Grande espera a instalação de um poço profundo perfurado pelo Dnocs desde 2014. A Prefeitura de Maranguape explica que não conclui a instalação por ser uma obra de um órgão federal e por não ter informações detalhadas sobre o trabalho iniciado.


“A prefeitura não tem acesso aos dados técnicos do poço quando ele foi gravado, como vazão, profundidade, tudo. Então fica difícil para, mesmo que sem usar o Dnocs como fonte de renda, que a gente consiga fazer a instalação desse poço”, explica o assessor técnico da Secretaria de Agricultura e Recursos Hídricos de Maranguape, Danilo Colares.

Cenário
Assim como em Ladeira Grande, outros 31 municípios enfrentam o mesmo problema no estado. Dos 502 poços profundos perfurados no Ceará pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), entre 2013 e 2016, apenas 118 foram instalados pelo órgão.

O índice de não conclusão das obras hídricas dessa modalidade, no período, chega a 74,7% — totalizando 375 unidades. Os dados foram obtidos através da Lei de Acesso à Informação.

Os municípios mais atingidos são Quixadá, com 57 poços não instalados, seguido de Crateús (54), Tauá (40) e Lavras da Mangabeira (39). Dentro do percentual não instalado, estão ainda 93 poços considerados secos. Outros estão nas condições de abandonado, aterrado e em desobstrução.

A incidência do problema apontado no relatório é mais evidente no ano de 2014, quando 139 poços foram perfurados em 18 municípios e nenhum foi instalado pelo departamento. Em 2016, a quantidade de poços perfurados caiu praticamente pela metade se comparada ao ano anterior.

Dnocs
Procurado, o órgão argumentou que não conseguiu instalar os equipamentos por falta de dinheiro, e que muitos dos acessos feitos no período devem ter recebido apoio de setores ligados ao Governo do Ceará para a conclusão.

“Os poços perfurados pelo Dnocs supostamente foram instalados pelo governo do estado através da Sohidra (Superintendência das Obras Hidráulicas), Defesa Civil, SDA (Secretaria de Desenvolvimento Agrário), prefeituras e outras entidades, isto porque nos anos de 2013 a 2018 foram anos de estiagem e que todos os mananciais (poços) existentes nos municípios do estado do Ceará foram instalados”, respondeu em nota.


O chefe da coordenadoria estadual do Dnocs no Ceará, geólogo Paulo Roberto, revelou ainda que, dos 328 poços perfurados no ano passado, nenhum foi instalado. A Autarquia aguarda liberação de recursos “contingenciados” do Governo Federal para concluir o serviço.

Diante da inconsistência das informações apresentadas pelo Departamento sobre a instalação dos equipamentos, a reportagem procurou os órgãos citados. A Secretaria de Desenvolvimento Agrário respondeu, em nota, que “não concluiu, nem mesmo assumiu, a instalação de nenhum poço perfurado pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca entre os anos de 2013 e 2016”.

A Superintendência de Obras Hidráulicas disse não possuir “acordo ou convênio com o Dnocs” para a conclusão da instalação de poços perfurados pelo órgão. A Sohidra confirma, no entanto, a realização de instalações pontuais a partir de “demandas das prefeituras ou de associações comunitárias”, mas ressalta que isso ocorre apenas “em situações críticas”, e que a instalação das obras hídricas “é pontual e não é uma regra”.

A Defesa Civil do estado encaminhou uma lista de poços instalados no interior do Ceará no período de 2012 a 2015, mas não soube dizer se, entre os instalados, havia algum perfurado pelo órgão regional.


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