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09 agosto 2019

Motoristas da Uber comemoram, mas usuários divergem sobre recurso que mostra destino antes de começar viagem


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O POVO Online quer saber se você concorda com nova medida. Vote na enquete (Foto: Deísa Garcêz /Especial para O POVO)
A Uber oficializou medida em que o destino final de cada passageiro fica visível para o motorista antes do início da viagem, em Fortaleza. O recurso, de acordo com a empresa, visa tornar a plataforma “ainda mais transparente” ao fornecer mais informações sobre os usuários. Motoristas da plataforma comemoram nova ferramenta, mas usuários demonstraram opiniões divergentes.

Dos dez motoristas que O POVO Online consultou, todos aprovaram a medida, apontando principalmente a questão da insegurança da Capital. “Nós motoristas de aplicativo já lutamos por isso há muito tempo. Antes a gente aceitava uma viagem, a princípio sem saber o destino”, conta Ronaldo Freitas, que afirma trabalhar há três anos dirigindo por meio de aplicativo.

Leia também: A dificuldade de morar longe e ter corridas em aplicativos canceladas

“Infelizmente, o índice de criminalidade na nossa Cidade é alto para que possamos andar tanto durante o dia quanto durante a noite. Então essa (medida) é uma segurança que agora temos para poder nos precaver. Antes quando aceitava uma corrida, a gente ficava naquela apreensão de saber para onde iria”, continua ele. Com o novo recurso, o motorista visualiza o destino do usuário sem precisar sequer aceitar aquela solicitação.

Na mesma linha de Ronaldo, Fernando Moretti, que também atua na modalidade há três anos, diz que “os motoristas têm de resguardar a própria segurança”. Ele refuta o questionamento de que, com a possibilidade da recusa prévia da corrida, passageiros com viagens curtas ou para bairros periféricos possam ficar mais tempo aguardando por um carro.

“Eu acho isso relativo, porque têm muitos motoristas que, assim como eu, preferem até rodar em comunidades”, declara, ponderando que há uma espécie de “seleção” e “observação criteriosa” para realizar embarques e desembarques em zonas consideradas, por ele, “de risco”.

Na seção de “Políticas e regras para motoristas parceiros da Uber”, no site da empresa, há um item explicando que o motorista “pode ficar online quando quiser”. No entanto, caso fique disponível e tenha “taxa de aceitação de corrida menor do que a taxa referência da cidade”, ele poderá sofrer restrições. Advertências também podem acontecer caso haja sucessivos cancelamentos de viagens por parte do próprio profissional.

Antes da nova medida, ao motorista era possível visualizar o destino do cliente somente após aceitar a corrida. Segundo um homem que diz trabalhar na plataforma há um ano e sete meses, o qual O POVO Online resolveu não identificar, quando os motoristas “pegavam corridas indesejadas”, eles traçam estratégias para forçar o passageiro encerrar a solicitação. “A gente ficava enrolando até o usuário cancelar”, declara.

“Não é razoável deixar o usuário na mão”

Ao passo que a medida é comemorada por motoristas, por outro lado usuários têm opiniões divergentes quanto à ferramenta. Dois deles relataram ao O POVO Online que tiveram de descer do carro após o motorista visualizar o destino. Nenhum quis se identificar, mas ambos afirmam terem ficado “constrangidos” com o momento e que, com a nova ferramenta, suas viagens deverão demorar ainda mais.

Para o estudante Rafael Moraes, a atual situação da segurança pública da Cidade é compreendida, mas que considera ser “bastante complicada” a posição dos usuários que moram na periferia. “Quando a viagem é, por exemplo, de um bairro central ou nobre de Fortaleza rumo à periferia, os motoristas demoram muito. Alguns chegam ao ponto de, às vezes, pedir para o cliente cancelar para não ter de pegar a corrida”, declara.

“Entendo que é bastante complicado, mas também não é razoável deixar o usuário na mão e às vezes até numa situação de risco, a depender do local em que ele estiver, porque o motorista não pega a corrida ou demora demais para chegar”, lamenta. A recepcionista Nayane Gomes concorda, complementando: “Agora os motoristas nem aceitam mais a corrida se acharem o bairro perigoso ou um tanto longe.”

“Segurança não pode ser justificativa”

Não há o indicativo, nas plataformas de transporte particular de Fortaleza, mapeamento de áreas consideradas “de risco”. Com isso, os próprios motoristas apontam por critérios subjetivos quais as zonas mais inseguras da Capital para poder realizar viagens. De todo modo, essa suposta classificação não poderia ser utilizada para a recusa do serviço, conforme afirma o advogado Thiago Fujita.

Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE), ele concedeu entrevista à Rádio O POVO CBN na tarde desta quinta-feira, 8, quando afirmou que a Uber “não pode se recusar o serviço que ela presta por meio dos motoristas particulares”.

“A questão da segurança não pode ser justificativa para recusa das viagens. Apesar das áreas de risco da Cidade, a empresa não pode se omitir de praticar as corridas, o que vai de encontro ao Código de Defesa do Consumidor”, informou. “Se for reiterada esse tipo de prática, o usuário deve fazer reclamação no próprio aplicativo”, prosseguiu, comentando ainda que, caso a situação continue ocorrendo, o usuário deve procurar os órgãos de Defesa do Consumidor de Fortaleza.

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