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O FIM SANGRENTO DE JOÃO DO SACO: O CERCO QUE MARCOU A HISTÓRIA DOS BASTIÕES

Ilustração em tom sépia simulando o histórico cerco policial a criminosos entrincheirados em taperas no interior do Nordeste."


Por Francisco Filho

Especial para o Blog Folha Serrana
O sertão nordestino é um solo fértil para histórias que misturam realidade, mistério e a crueza dos tempos em que a lei era ditada pela pólvora. Entre os relatos guardados na memória dos moradores mais antigos da nossa região, poucos são tão impressionantes e violentos quanto o desfecho de João do Saco, um temido pistoleiro vindo da Paraíba que encontrou seu destino final nas terras do Sítio Saco, nas proximidades da emblemática região dos Bastiões.
Por décadas, essa história correu de boca em boca, como um eco dos tempos do cangaço e da pistolagem. Hoje, o Folha Serrana resgata os detalhes desse cerco dramático que parou a comunidade e terminou de forma bárbara.

A FUGA DA PARAÍBA E O REFÚGIO NO SÍTIO SACO
Segundo os relatos históricos coletados com exclusividade pela nossa reportagem, João do Saco era conhecido por sua pontaria certeira e por não recusar missões perigosas em sua terra natal, na Paraíba. Marcado pela justiça e caçado por desafetos, ele cruzou as divisas e buscou abrigo no isolamento geográfico da região dos Bastiões, instalando-se no Sítio Saco.
Ali, entre a caatinga fechada e o relevo acidentado, ele acreditava estar seguro. No entanto, o rastro de sangue deixado pelo pistoleiro atraiu a atenção das forças de segurança, que organizaram uma forte "volta" (contingente policial da época) para capturá-lo vivo ou morto.

O CERCO NA CASA VELHA E A MORTE DO SARGENTO
A calmaria do Sítio Saco foi interrompida pelo som de cascos de cavalos e ordens de comando. Encurralado pela polícia em uma tapera abandonada — uma casa velha de barro e palha —, João do Saco demonstrou por que era um homem temido. Em vez de se render, ele se entrincheirou e respondeu aos gritos da polícia com fogo cerrado.
O confronto foi longo e tenso. De dentro da casa velha, aproveitando as frestas das paredes e janelas, o pistoleiro resistia bravamente à superioridade numérica dos soldados. Foi nesse momento que a tragédia aumentou: com um tiro certeiro, João do Saco alvejou e matou o sargento que liderava a operação policial, gerando revolta imediata entre os praças.

O DESFECHO BRUTAL: A VINGANÇA NO MACHADO
A morte do comandante mudou o tom da operação. Tomados pelo sentimento de vingança e pela fúria de ver um companheiro tombar, os policiais intensificaram o ataque. Sem munição e sufocado pela investida, João do Saco foi finalmente subjugado e morto no interior da habitação.
Contudo, o encerramento do tiroteio deu lugar a uma cena de extrema brutalidade, comum nos conflitos daquela época no sertão: para vingar o sargento e levar uma prova irrefutável do cumprimento da missão, os executores deceparam a cabeça de João do Saco utilizando um machado.
A prática, que remete diretamente ao destino sofrido por Lampião, Maria Bonita e tantos outros cangaceiros e jagunços, servia como um troféu macabro para ser exibido e intimidar qualquer outra tentativa de rebeldia contra as forças da lei.

O LEGADO DA TRADIÇÃO ORAL
Hoje, a velha tapera do Sítio Saco pode ter sido consumida pelo tempo, mas a história de João do Saco permanece viva na identidade cultural dos moradores dos Bastiões. O trabalho de resgate desses episódios não visa glorificar a violência, mas sim catalogar a formação histórica e social da nossa gente, compreendendo o passado para registrar a identidade do nosso sertão.
E você, leitor do Folha Serrana? Já ouviu seus avós contarem alguma versão sobre o cerco a João do Saco? Deixe seu comentário abaixo e ajude a enriquecer nossa crônica regional.
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