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terça-feira, junho 07, 2022

Crianças com problemas no coração estão há seis meses sem cirurgias pelo SUS no Incor, em Fortaleza

 


Crianças com problemas no coração estão há 6 meses sem cirurgias pelo SUS

 

 

O Instituto do Coração da Criança e do Adolescente (Incor Criança) está há seis meses sem realizar cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Fortaleza. Conforme o diretor e fundador do instituto, o cirurgião pediátrico Valdester Cavalcante, a instituição foi desabilitada pelo Ministério da Saúde para realização de cirurgias por não concentrar todos os procedimentos em um só prédio.

 

"Na renovação do contrato a Secretaria da Saúde entendeu que o nosso contrato com um hospital da rede privada de cessão de uso de ambientes hospitalares estava irregular. Foi feito uma solicitação ao Ministério da Saúde informando que na vistoria que foi feita no hospital e no ambulatório esses endereços não coincidiam. Nós fazemos o ambulatório nessa sede e as cirurgias em outro ambiente que é o hospitalar. Nesse contexto, o Ministério da Saúde pediu a desabilitação do Incor Criança", explicou.

 

 

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O diretor que a decisão prejudica cerca de 900 crianças que são atendidas por mês no Incor fazendo com que a fila de espera só aumente. Além disso ele afirmou que a demora em realizar os procedimentos pode ocasionar muitas sequelas aos pequenos pacientes.

 

"Nós mantemos o ambulatório funcionando, nós atendemos aqui em torno de 900 crianças por mês, dessas algumas precisam de cirurgias e elas são encaminhadas para a fila que hoje no estado do Ceará está em torno de 400 crianças esperando. 66% das nossas crianças acometidas com cardiopatia congênita ficam desassistidas. É uma doença que compromete o coração e o pulmão e o diagnóstico sendo feito principalmente nos casos críticos precisa ser feito em um momento oportuno. Saindo desse período, certamente a criança vai ter uma sequela cardíaca ou pulmonar então não há tempo para esperar o tratamento das cardiopatias congênitas", disse.

 

Incor Criança atende 900 crianças por mês, segundo diretor do instituto, o cirurgião pediátrico Valdester Cavalcante — Foto: Divulgação/Incor

Incor Criança atende 900 crianças por mês, segundo diretor do instituto, o cirurgião pediátrico Valdester Cavalcante — Foto: Divulgação/Incor

 

 

Rosette Correia teve a sorte de conseguir a tempo a cirurgia para o filho. Ele foi submetido a um procedimento para fechar o canal arterial no Incor. Para ela, o poder público deveria olhar com mais atenção para essa área da saúde e evitar problemas maiores como a morte.

 

"É um sentimento de angústia a gente olhar o descaso do poder público porque as cardiopatias têm tempo para serem tratadas. Não são só sequelas, as crianças podem até vir a óbito. Se meu filho não tivesse feito a cirurgia ele não poderia ter se desenvolvido ou nem estaria mais entre a gente. A equipe do Incor foi muito importante para a saúde do meu filho", agradeceu.

 

Audiência pública

Uma audiência pública vai debater a questão com representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria Municipal da Saúde, do Incor e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE) para chegar a uma definição sobre o retorno das cirurgias no instituto.

 

A secretária de Saúde de Fortaleza, Ana Estela Leite afirmou que "durante o processo de renovação do convênio a auditoria identificou inconsistências e que por se tratar de um recurso federal imediatamente fizemos uma consulta ao Ministério que atestou que não estava lá realmente adequado ao que prevê a portaria de habilitação e inclusive recomendou que nós solicitássemos a desabilitação do Incor Criança", explicou.

 

 

Ana Estela ressaltou que após isso, a direção do Incor foi imediatamente comunicada e que dessa forma não seria possível incluir a parte hospitalar nesse novo convênio. "Reconhecemos aqui a grande capacidade técnica, os excelentes serviços prestados às nossas crianças pelos profissionais do Incor Criança", concluiu.

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