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26 novembro 2019

Pacientes diabéticos denunciam falta de insulina em postos de saúde do Ceará


Secretaria da Saúde reconhece problema na entrega dos medicamentos — Foto: Lucas de Menezes/SVM

Pacientes com diabetes no Ceará que usam insulina analógica ultra-rápida - tipo de medicação com ação mais eficaz que a convencional - denunciam que, há seis meses, a medicação está em falta nos postos de saúde do Estado.

Usuários desse tipo de insulina alegam que os custos com o produto não são acessíveis para grande parte dos pacientes. A ausência de aplicação da insulina pode provocar prejuízos renais, de circulação sanguínea e afetar até a visão, segundo especialistas.

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) reconhece que houve problema na entrega, mas diz que a medicação começou a faltar em agosto. Em nota, a pasta informou que o processo para compra da insulina analógica ultra-rápida foi aberto no dia 12 de setembro e homologado no dia 31 de outubro. A compra foi liberada no dia 6 de novembro e o fornecedor deve entregar em até 15 dias úteis. Entretanto, a Sesa não informou se o medicamento já está sendo recebido nos postos.

Mãe gasta R$ 300 por mês
A administradora Raphaela Fernandes, 36 anos, moradora de Fortaleza, conta que constantemente vai aos postos de saúde próximos à sua casa para buscar a medicação. Ela tem uma filha de 12 anos, com diabetes tipo 1. Mas alega não encontrar a medicação. “Desde o finalzinho de março, a gente foi (no posto) e não tinha. Como é uma questão de sobrevida, a gente acabou comprando”, relata.

Devido ao período de provas escolares, Raphaela diz que a filha fica nervosa e isso faz sua taxa de glicose oscilar, o que exige maior controle com a medicação. “Eu gasto em torno de R$ 300 (por mês) só de insulina, fitinhas, pra higiene do local e pra fazer limpeza”, destaca.

A dona de casa Carla Ferreira, 26 anos, moradora de Pentecoste, na Região do Maciço de Baturité no Ceará, conta que também sente a falta deste tipo de insulina. Ela cuida da filha de 5 anos que, desde um ano e cinco meses, faz tratamento da diabetes do tipo 1.

“No posto da cidade, todo mês eu vou, mas nunca tem. No momento, eu tô vivendo de doação”, conta. Ela disse que a medicação fica por volta de R$ 150, e que, há cerca de seis meses, não encontra os produtos no sistema público. “O que eles falam é que vai chegar, mas quando chega não é o que ela usa. Aí nós estamos na Justiça também pra ver se ela ganha tudo direitinho”, explica.

Adolescente perdeu as digitais por falta de remédio
Já a professora Mary Sá César, mãe do paciente Vítor César, de 13 anos, garante que não recebe os equipamentos em Fortaleza para utilizar a insulina analógica ultra-rápida do filho desde abril deste ano.

"Tenho ação judicial para receber a bomba [de insulina] e os equipamentos, como a cânula e os sensores", diz. Vítor, conta ela, necessita de 12 caixas de sensores por ano, mas só recebeu quatro da Sesa em 2019.

“Desde abril não recebo os sensores e não tenho condições de comprar por causa do alto custo, então o jeito é depender de doação do item já usado, arriscando a vida do meu filho”, acrescenta a professora.

Sem o sensor, a bomba não evita as hipoglicemias, nem afere a glicemia correta do adolescente. Conforme a professora, quando Vítor está sem o item, precisa fazer vários exames por dia. “Meu filho chegou a ferir os dedos por causa da alergia à agulha dos exames. Ele já perdeu as digitais de tanto que foi furado. É muito complicado”, conta. De acordo com Mary, a situação de falta dos itens tem se repetido desde 2017, ano da ação judicial.

O médico de medicina preventiva, Fernando Guanabara explica que a insulina pode ser aplicada de forma manual, mas que com o aparelho (um dos insumos também em falta na rede pública) a efetividade da medicação é mais precisa e pode ser utilizada para os dois tipos da doença. “Se falta insumo, pode comprometer esse controle, e isso pode acarretar alguns problemas para o paciente. O paciente pode ter comprometimento renal, da circulação [sanguínea], da parte ocular, como glaucoma e catarata”, explica.

O especialista acrescenta que há maior risco de infartos e de Acidente Vascular Cerebral (AVC) com a descompensação da substância.

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