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10 fevereiro 2019

A IMPONENTE CASA GRANDE DA FAZENDA TRIGUEIRO


Por: Rostand Medeiros

 Foi construída por Manoel Diógenes Maia e teria sido concluída em 1794, a 216 anos atrás. Toda a edificação foi realizada por escravos. Estes traziam a areia utilizada para a construção desde as margens do Rio Jaguaribe, distante da Fazenda Trigueiro 35 quilômetros. Consta que nesta época o proprietário possuía nada menos que 115 escravos. A Fazenda Trigueiro foi edificada praticamente na mesma época em que a povoação que ficaria conhecida como Serra do Pereiro crescia.


Consta que em 1777 deu-se a chegada à região de Manoel Pereira e de sua família, atraídos pelas terras férteis propícias a agricultura, com inúmeras fontes naturais de água potável e clima agradável com chuvas regulares. As principais atividades econômicas que caracterizaram esta época era a plantação de milho, feijão e a criação de bovinos e esta produção seguia para o município vizinho de Icó. A área onde Manoel Pereira buscou para cuidar de sua família passa a ser conhecida primeiramente como Serra do Pereira, passando depois a Serra do Pereiro. Depois o lugar foi desmembrado de Icó e elevado à categoria de vila pela lei provincial nº 242, de 21 e outubro de 1842, com a denominação de Santos Cosme e Damião da Serra do Pereiro. Ao longo do século XIX houve na região o crescimento da plantação da cana e da produção de algodão. Ambos os produtos alcançaram altos índices de produtividade até a metade do século XX. Consta que a rapadura produzida na serra do Pereiro era conhecida pela sua ótima qualidade.

Imponê
ncia:

No grande casarão de 38 cômodos e 45 portas e janelas, a madeira existente no teto, linhas, ripas e escadas ou são originárias de pau d’arco, ou de aroeira, ou angico. Todas árvores nobres da flora nordestina, mas atualmente são praticamente extintas na região. Sabe-se que toda a madeira interna da casa é original, daquelas que “cupim não rói”. Já a madeira das pesadas e grossas ripas que compõem as portas e o assoalho do sótão são todas feitas de cedro. Acredita-se que o telhado existente ainda é o original, apresenta uma pesada e grande telha, que lhe foi informado também ser original do imóvel. É uma peça de uns 50 a 60 centímetros de comprimento, por uns 25 centímetros de diâmetros, com as marcas dos dedos de quem as fez, provavelmente há mais de duzentos anos.
O sótão da casa é um caso a parte de tão grande. Acaba sendo uma outra casa dentro da casa. No “olhômetro” poucos se arriscam a dizer a metragem daquele enorme compartimento. Ali, segundo familiares, ficavam anteriormente os escravos. Depois do fim do regime de servidão, os Diógenes trouxeram para o sótão trabalhadores contratados e junto a estes viviam alguns homens que faziam a proteção da propriedade, os famosos “cabras” . Outra função do sótão era a guarda de grandes quantidades de produtos rurais em seis quartos, além de queijos.

Coisas do “Outro Mundo ”.


Muitos falam na região que no lugar apareciam almas penadas, visagens, choros e barulhos sem motivo aparente. Sempre que surgem alguma conversa sobre coisas do “outro mundo”, é certo que as histórias da Fazenda Trigueiro entra na conversa como pauta principal. Familiares confirmam que os fatos eram reais e dão informações que não era raro os moradores ouvirem sons de instrumentos musicais sendo tocados, em “apresentações” que duravam horas. Comentam também que os homens que faziam a proteção do lugar, gente disposta, que só andavam armados, se borravam de medo com estes fatos e não raro um desses “cabras machos” iam embora ligeirinho da fazenda pois em um dos cômodos da casa que, segundo contam, morreu no local de forma inexplicável uma pessoa que ali adentrou. O negócio cresceu ao ponto de Delcides Vieira Diógenes, a segunda esposa de Zé Diógenes, ir procurar frei Damião de Bozano, em uma das ocasiões em que ele passou pela região serrana realizando uma de suas “Santas Missões”, lá pelos anos entre 1974 e 1976. O famoso frade capuchinho recebeu D. Delcides e então recomendou simpatias e missas para as “almas do outro mundo”. Logo a situação melhorou. Uma das simpatias de frei Damião para afastar as aparições era derramar água benta em três cantos que ele indicasse na casa.


Napoleão Diógenes Paes Botão foi outro grande impulsionador do crescimento econômico da Fazenda Trigueiro e da região. José Diógenes Maia, mais conhecido na região como “Coronel Zé Diógenes”, já falecido, foi político, mas deixou a atividade para se dedicar exclusivamente a agropecuária. Nesta área obteve muito sucesso, chegando a possuir quase trinta propriedades em várias localidades. Economicamente Zé Diógenes comandava a região que ia da fronteira com o Rio Grande do Norte até a localidade onde passa o Rio Figueiredo. Casado duas vezes, Zé Diógenes foi pai de quatorze filhos, sendo que o primeiro casamento, com a Senhora Tereza Dantas, trouxe ao mundo nove filhas.
Fonte Fatima Diógenes

2 comentários:

  1. Uma das fazendas era Mulungu no município de Ja guaribado e lá a conversa é longa e bem conhecida o repórter que conte pelo menos a metade

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