Um vídeo que circula no Facebook mostra o momento em que o
apresentador do SBT, Ratinho, chuta a assistente de palco, Milene Pavorô, que
estava dentro de uma caixa de papelão. Ratinho ainda tirou sarro da
apresentadora, dizendo, em tom de brincadeira, que era pra demiti-la.
Visivelmente constrangida, Pavorô teve que sair do palco.
Confira abaixo relato e vídeo publicado pelo usuário do
Facebook, Miloch:
"O apresentador Ratinho deu um chute em sua ajudante
de palco Milene Pavorô, ao vivo, no programa que foi ao ar pelo SBT, no último
dia 15. Visivelmente constrangida, a integrante do elenco deixou o palco no
meio do quadro Foguetinho.
Após agredir Milene – ao que parece, o chute acertou a nuca
da moça –, Ratinho demostrou desconforto ao vê-la deixar o palco. “Não podemos
perder a esportividade”, disse, chamando o diretor do programa. ‘Aroldo, o
senhor notou que ela é uma funcionária rebelde? Providências terão de ser
tomadas… Ela vai pra rua.’
Tentei publicar este vídeo no YouTube, mas o conteúdo tem
direitos autorais e foi retirado do ar. Queria mostrar a que ponto chegou o
entretenimento na televisão. Há um mar de mulheres lutando pelo fim da
violência doméstica. A TV poderia reforçar o discurso, mas, ao contrário, faz o
desfavor de mostrar o Ratinho nessa lamentável cena.
Mulheres são vitimadas diariamente em seus lares, e nem a
lei que tornou o feminicídio em crime hediondo fez baixar os índices deste tipo
de delito. Para reforçar o discurso machista e mascarar a agressão, o SBT culpa
a mulher – atitude comum aos agressores: no site da emissora, o vídeo tem o
título: “Pavorô vira caixa andante e se dá mal”. A culpa é dela, claro.
Quão infeliz o chute do Ratinho. O golpe claramente
constrangeu Pavorô, a ele próprio e aos demais integrantes do elenco. Eu também
fiquei constrangido. O Programa do Ratinho é veiculado em todo o Brasil.
Quantos por aí não tomarão o exemplo do Carlos Massa?
E que dizer da Havan, anunciante do quadro? Se a rede de lojas
patrocina ao programa patrocinou, de tabela, a agressão. Correto? Que chute o
Ratinho deu em seu anunciante, não. Afinal, eu, por exemplo, se entrar numa
Havan, pensarei: a loja que patrocina violência contra a mulher. Por sorte, o
caso não repercutiu. O golpe afetará pouco o marketing da empresa.
Em menos de dois minutos vimos, no Programa do Ratinho,
como agredir, constranger, assediar e ameaçar uma mulher. O desserviço foi
veiculado em cadeia nacional, em veículo explorado por meio de concessão pública,
e que deveria ser útil ao povo – e, quando falo em utilidade, não me refiro aos
suspeitos testes de DNA.
A submissão da mulher no mercado de trabalho, reforçada,
neste caso, pelo homem que, na imagem do diretor, diz que irá “encaixotá-la”,
deve ser combatida, rechaçada e extinta, sobretudo nos veículos de comunicação
de massa.
Este chute acertou a Pavorõ, mas doeu em muitas mulheres
por aí. O Ratinho, o SBT e a Havan devem desculpas a todas elas. Senão, somos
nós quem devemos encaixotá-los."
Fonte: Miseria


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