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Somente 8% dos animais apreendidos em estradas do Ceará são resgatados pelos seus donos

As estradas já trazem perigos aos motoristas. Com animais esse percentual de perigo aumenta ainda mais. Com tanta incidência de “intrusos” nas estradas, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE) tem uma fazenda localizada em Santa Quitéria, a 220 quilômetros de Fortaleza, que abriga jumentos, bois, vacas e outros animais que surgem nas estradas e podem causar acidentes. Atualmente, a fazenda possui 2.200 animais. E pouquíssimos deles são resgatados.

Um dos motivos para esse resgate escasso é o preço, e chega a ser mais caro do que comprar outro animal. Quem confirma é o gerente do núcleo regional do Detran, João Carlos Macedo.

“Com certeza o valor da multa é alta, e isso é uma das principais explicações para o resgate ser pouco. Além disso, o preço do animal às vezes é mais barato que a multa. Um carneiro pode custar até R$ 100 e a multa é maior que isso”, afirmou.

Entre os jumentos, que são os animais mais apreendidos nas estradas, a situação ainda é mais complicada. “Outro jumento é possível conseguir até de graça, imagina pagar para resgatar o animal. Infelizmente, o jumento ficou realmente mais abandonado, muitas pessoas ainda têm por questão de afinidade, mas ele quase não é resgatado”, comenta.

Contudo, João Carlos defende a multa estabelecida. “Acredito que esse valor deve existir, porque mais animais seria abandonados e ficariam vagando pelas estradas. Com essa multa, o dono pode ter uma conscientização e responsabilidade maior na hora de cuidar do seu animal”, acredita.

A fazenda tem 500 hectares, possui 3 açudes, um veterinário e 15 pessoas trabalhando no local. Para o gerente do núcleo, esse trabalho é uma proteção a vida de quem utiliza as estradas.

“Infelizmente, mesmo com esse trabalho que realizamos ainda é muito grande a quantidade de animais nas estradas e eles são uma grande ameaça ao bem estar de quem precisa utilizar as rodovias”, conta João Carlos.

Para conseguir resgatar o animal, o dono deve suprir algumas regras do Detran, além de pagar uma multa. É necessário que o proprietário apresente a GTA (Guia de Transporte de Animais), apresentar cópias do RG, comprovante de residência e assinar um termo de compromisso. Além disso, é necessário apresentar duas testemunhas, e pagar para cada animal liberado R$ 177,49 e também a permanência diária por cada animal de R$ 35,50.

O gerente ressalta também que esses animais resgatados recebem toda a assistência possível no local. “Quando os animais chegam, são avaliados, vacinados e os mais enfermos entram logo em tratamento”, ressalta.

Caso o dono desses animais não apareça no prazo de 10 dias, o Detran encaminha os animais para alguns locais determinados. Bois, vacas, carneiros e bodes que estejam em bom estado de saúde são doados para instituições públicas para serem aproveitados como alimento. Já os cavalos e burros, também após avaliação médica, são liberados para os trabalhos agrícolas na região. Deste animais apreendidos, 90% são de jumentos.

“Normalmente o jumento ninguém quer, eles ficam lá na fazenda, diferente dos outros animais, os outros são aproveitados em trabalhos agrícolas”, avalia João Carlos.

Queda em apreensões

Em 2015 foram apreendidos 10.846 animais nas rodovias estaduais, destes foram 8.886 asininos, 439 animais devolvidos aos seus respectivos proprietários e 915 foram doados para associações agrícolas e entidades filantrópicas cadastradas junto ao Detran.

Segundo a Polícia Rodoviária Estadual em 2015 foram registrados 81 acidentes nas rodovias Estaduais envolvendo animais, destes acidentes houveram 16 vítimas fatais e 29 pessoas feridas.

Já em 2016, o número teve uma redução. Foram apreendidos 9.395 animais nas rodovias estaduais, destes foram 6.537 asininos, 386 animais devolvidos aos seus respectivos proprietários e 1.203 foram doados.


Tribuna do Ceará

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