IJF usa pele de tilápia como curativo para queimaduras

domingo, 20 de novembro de 2016

A tilápia é um dos peixes mais consumidos no Brasil, e agora faz parte do tratamento de queimados do Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza (CE). Há dois anos e meio, pesquisadores do hospital iniciaram um estudo para desenvolver um curativo usando a pele da animal aquático com o objetivo de melhorar a cicatrização de queimaduras.

Foram 11 etapas pré-clínicas. Em julho deste ano, 30 pacientes com queimaduras de segundo grau superficiais e graves receberam o curativo. A fase clínica teve 94% de sucesso. Hoje, 58 pacientes são voluntários na pesquisa, mas o tratamento será expandido para alcançar 100 pessoas.

“A pele da tilápia ajuda no processo de cicatrização, tamponando a ferida. Evita contaminação e perdas líquidas, diminui o número de troca de curativos e, consequentemente, diminui também a dor e o sofrimento do paciente”, disse o cirurgião plástico Edmar Maciel, coordenador da pesquisa e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ).

A analise do IJF é a primeira no mundo a usar a pele de um animal aquático. A tilápia foi escolhida por ser um peixe criado em água doce, de rápida reprodução e por disseminar menos doenças. A pele do peixe pode ser uma alternativa ao uso da pomada de sulfadizina de prata, utilizada no tratamento de queimados.

Enquanto o medicamento requer que o curativo da queimadura seja renovado diariamente, o curativo de pele de tilápia, por exemplo, pode ser retirado somente no fim do tratamento de uma queimadura de segundo grau. Além disso, o novo tratamento não pede o uso de analgésicos e anestesias e o tempo de cicatrização é reduzido entre um e dois dias.



Diminuir o tempo de tratamento dos pacientes também reflete na gestão do Núcleo de Queimados do IJF, que viu esse tipo de atendimento crescer 13% nos últimos dois anos. “Essa nova tecnologia nos permite manter um atendimento com qualidade, mais humanizando, e suportar fisicamente a demanda. A gente passa menos tempo com o paciente internado”, afirmou o coordenador do núcleo, João Neto.

Com previsão para terminar em julho de 2018, o estudo é realizado em conjuntocom o Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (UFC) e é financiada pela Enel, multinacional do setor de energia.

Ainda não há previsão de quando o tratamento estará disponível nos hospitais públicos e privados.

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